terça-feira, setembro 08, 2009

O som da vida

O sol batendo radiante nas árvores diversificadas em vários tons de verde. A grama fresca de um imenso jardim. Flores vivas, de todas as cores e tamanhos. A água límpida estalando em pontos cristalinos. Canção doce de um cenário de filme...

Algum lugar do Rio Grande... Algum lugar de Belém Velho... Algum lugar de Salvador... Alguma praia de Vitória... Minha casa florida, escondidinha em Fortal... De onde vinha este canto lindo e diferente do pássaro que insistia em gritar bem alto pra ser ouvido, no início da manhã desta terça-feira, dando o seu grito atrasado de independência?

Maravilhoso... Mas aflito... Como que de alívio e pedido de socorro... Uma mistura de infância exuberante e rígida polidez de adulto.... Um canto de campo, em plena realidade paulista!

Parecia. Mas não era sonho. Mesmo sem a presença do sol. O escuro da luz que resplandecia às sete da manhã, entre buzinas e ruídos de trânsito engarrafado, indicava a visão do décimo segundo andar da avenida chuvosa. Ainda sonolenta, entre as cortinas semi-abertas.

Uma manhã caótica, apesar do encanto do despertar... Chuva de granizo, céu tomado de nuvens pretas... Uma São Paulo previsível.

Parecia tão longe... A casa na favela sendo arrastada. A morte de um motoqueiro imprensado entre um caminhão e ônibus. Um assalto no condominio. Uma árvore caída no carro. A luz cortada. Um tornado abortado. A vitrine praiana do shopping.

O canto emudeceu. No café da manhã. A previsão de tempo feio, pro resto do dia, no Bom dia Brasil.

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