domingo, agosto 13, 2006

Praia Invadida

Imagine você, chegar numa praia, após um dia de trabalho, ou mesmo acordar e tirar aquele dia pra tomar um banho de mar, sentar numa espreguiçadeira confortável, de frente pro mar, chamar o garçon e pedir uma cerveja gelada ou um uisquezinho - aquele seu - beliscar uma batata-frita da hora - ou um camarãzão, ouvir uma música ao vivo. Ah, ainda ficar despreocupado, já que seguranças particulares estão atentos aos seus pertences. E também nas crianças, que se divertem nos confortáveis e próximos brinquedos aquáticos e não pensar em mais nada da vida... Pois isto é possível. Aqui na Praia do Futuro, em Fortaleza. E até com preços bem razoáveis... Ou melhor, " bem razoáveis", se a gente fingir que não está sendo otário e pagando por serviços que estão sendo utilizados encima de um terreno que lhe pertence. Você desconta. E muito. De seu suado dinheirinho. Em impostos!
Vira e mexe, o Ministério Público tenta colocar ordem na bagunça empresarial (estranhamente apoiada por grande parte da população local), como agora, por exemplo, em que ameça interditar os parques aquáticos e estabelecer um prazo de um mês para que as cercas destes luxuosos restaurantes ( aqui conhecidos como barracas de praia), sejam retiradas. É que eles são delimitados por muros! Na areia da praia...
A posse do terreno é tão descarada, que alguns empresários chegam ao displante de formar um verdadeiro "apharteid social, prepotencial, e qualquer mal maior" , "proibindo" que outros comerciantes mais modestos, vendam também seu peixe. Ou melhor, seus pastéis, seus salgadinhos, suas cervejas em latas, seus refrigerantes - através de truculentos seguranças. Tem outros que chegam a "impedir" inclusive a entrada ou passagem de banhistas ao mar, nos e (pelos) estabelecimentos, porque compram algum produto ( a metade dos preços cobrados nos restaurantes), nestes carrinhos de lanches!
Moradores da praia, contribuíntes, zé ninguém e outro escambau de gente torcem pra que a justiça não faça "vistas grossas", novamente e coloque as barracas no verdadeiro lugar, que seu próprio nome define: sem paredes, sem muros, sem delimitações. Só com tetos. E como proteção do sol. O povo e a natureza agradecem.

Um comentário:

lysgualberto disse...

Bom quando temos "uma praia" e podemos por ela, tecer palavras que vão além do imediatismo humano que se aventura sem "olhar" a paisagem que absorve, sileniosa, toda e qualquer emoção...além do cotidiano acelerado, materialista, do lucro desenfreado.
...Basta olhar como as ondas dançam para sentir e perceber outras belezas acontecendo.
Nossas praias, sim, concordo, precisam de mais liberdade!